Bom pra ir com a famíliaVou às bienais do livro de São Paulo desde os meus 10 anos de idade (que eu me lembre). Entre meus 7 e 10 anos que descobri o meu amor por livros. Acho que foi por lá (ou em uma outra feira de livros) que meus pais fizeram uma assinatura do “Clube do Livro” para mim nessa época. Claro que os livros disponíveis no catálogo não eram exatamente para crianças e acho que eles não sabiam que eu era uma criança. Deles ganhei a camiseta que mais usei na vida: era amarela com dizeres em preto, como se fosse uma pichação, escrito bem grande “Sou viciado” e bem pequeno, num cantinho “em livros”. Por aí dá pra entender como uma criança de 10 anos numa época com muito menos títulos infantis (1984, 85, 86…) do que hoje poderia, espontaneamente, se interessar por uma feira de livros.
Depois que cresci, diminuí minha frequência. Cheguei a ficar anos sem ir. Nessa de agora – SIM! ESTÁ ROLANDO UMA ESSA SEMANA! – fui duas vezes. E, por acaso, ao conversar com algumas pessoas, descobri que muita gente nunca foi. Nem tem ideia de como seja. Então, convido a quem nunca foi, que vá. Mesmo que você nem goste tanto assim de livros. Por isso achei válido criar essa publicação.
Em 1961 aconteceu a primeira bienal. Passou por vários lugares: Ibirapuera, Center Norte, Imigrantes e hoje acontece no Pavilhão de Exposições do Anhembi, num espaço de 70 mil m2 e previsão de 700 mil visitantes.

Quem não é muito ligado em leitura pode achar meio bobo ir a uma feira de livros. Lá, além de venda de livros, dá para ter contato com autores (sim, autógrafos!), assistir a palestras, conhecer novidades, ver shows. Tem um stand com foco na cultura nordestina e literatura de cordel que teve um pocket show lindo com o Moraes Moreira. Ou seja, é muito mais do que uma grande livraria. A Microsoft, por exemplo, tem um stand enorme por lá para falar sobre tecnologia e conhecimento. Montaram até uma “sala de aula de 2030”, mostrando possibilidades. Bom pra abrir a cabeça, né?


Tem um outro espaço, organizado pela CBL (fundadora do evento) e patrocinado pelos correios, voltado para crianças mas encantador para todos, chamado “Tenda das Mil Fábulas” onde o tema é a obra “As 1001 noites”. Há toda uma ambientação, com tapetes e almofadas para se sentar e deitar no chão enquanto podemos acompanhar suas atrações, como discussões com grandes autores que já traduziram ou fizeram suas versões das 1001 noites (vi boa parte da roda de conversa com a Ana Maria Machado!). Todas as noites, às 18h30, os artistas residentes apresentam os contos das Mil e Uma Noites acompanhados pela Orquestra Mundana Refugi.

Tem muita coisa de cultura nerd – aumentaram os stands com esse foco desde a última vez que fui. Logicamente tem muita coisa legal à venda. No domingo teve até concurso de Cosplay no palco principal.
Este ano o país homenageado com um grande stand no meio do evento foi o Líbano, onde você pode conhecer um pouco de sua cultura. E sempre há os stands menores com foco específico, sejam representando culturas de países diversos, seja com foco religioso. Sem contar os autores independentes, que também têm o seu espaço.
Logicamente, costuma haver promoções e preços especiais. Mas nunca vi tantos stands com livros por R$ 10,00. Coisa do tipo “Qualquer livro por R$ 10,00” – e não eram “livros quaisquer”. Você encontra desde livros técnicos (nunca vi tanto Vade Mecum junto) a livros de culinária, sobre saúde e, evidentemente, livros de ficção.

Ô se vale! Começa que crianças até 12 anos não pagam. E o que não falta é coisa voltada pra molecada! De cara a Ciranda Cultural – editora especializada em livros infantis – aparece em frente às catracas, em dois espaços gigantes! Livros a partir de R$ 5,00. São poucos os que custam mais de R$ 20,00. Lá, mesmo quem é grandinho pode encontrar coisas interessantes. Eu não comprei, mas tinha pacotes com cerca de 5 revistas (não contei quantas eram) da Turma da Mônica de tudo que é época – incluindo quando eram mais magrinhos – por R$ 5,00.
Minha amiga levou sua irmãzinha que tem uns 5 anos. A menina se acabou de brincar nos diversos espaços lúdicos que tem por lá. E tem muita coisa pra essa faixa-etária. O Museu da Língua Portuguesa montou uma instalação que as crianças podem interagir (fica meio no limiar da feira) e, ao lado, tem uns banquinhos com mesinhas onde as crianças podem brincar com os livros de colorir adquiridos no evento.
Se sua criança já está na faixa dos 8 fica até mais fácil, porque tem muito, mas muuuuuuito livro pras crianças. Tem princesa, tem super herói, tem Harry Potter, tem Youtuber, tem atividades, tem de tudo!

Roupas confortáveis porque você vai andar MUITO. Com poucas paradas, eu e meu namorado levamos umas 4,5h pra ver tudo (com direito a uma acelerada no final, mas nós gostamos de olhar tudo com calma).

Diferente de outras feiras e exposições, pode levar mochila sem problemas. O povo leva mala de viagem com rodinha pra carregar os livros comprados. Mas tem guarda-volumes (pago, acho que R$ 20,00). Eu carreguei uns livrões que comprei na sacolinha e fiquei com dor na mão.

Leve o celular carregado porque você vai querer tirar fotos. Se descarregar, tem pontos de descanso com local para recarregar o celular. Apesar de ter alguns cabos, acho que vale a pena levar o seu carregador.
No domingo, para não gastar tanto com comida, levei biscoitos e uma garrafinha de água. Mas lá dentro, perto das últimas ruas da feira, tem um stand da Americanas que, além de livros, vende quase tudo o que tem numa Americanas de rua ou de shopping. Não entrei lá, mas de fora vi que tinha biscoitos, salgadinhos etc por lá. Minha amiga levou coisas mais saudáveis, como potinho com frutinhas, água, lanchinho natural.
Se não quiser farofa, tem duas praças de alimentação. Pra você ter uma ideia dos preços, lembro que vi 1 espetinho Mimi (churrasquinho) “Gourmet” por R$ 8,00. Tem uns foodtrucks também. Lanches custando em torno de R$ 25,00. Paguei R$ 20,00 por um combo econômico numa “Poke” que vinha 350g de Yakissoba (estava bom) com uma água (podia ser refrigerante). Batatas fritas de outro truck estavam a partir de R$ 8,00, se não me engano. X-saladas por R$ 25,00. E tem, na rua A, junto aos banheiros, num piso superior, um restaurante por quilo que, pela primeira vez na vida, achei que estava mais barato que o resto. Não subi pra ver como estava a qualidade, mas do lado de fora tinha um luminoso de led informando: R$ 32,00/kg. Se for de novo essa semana, acho que como lá.
O melhor é ir de metrô, descer na Tietê e pegar o transporte gratuito – um belo ônibus executivo. De carro, você pode deixar num estacionamento pertinho do metrô (tem vários, alguns por R$ 10,00 pelo período de 12hs) e pegar o transporte. Ou pode deixar no estacionamento do Anhembi que, atualmente, está R$ 40,00. O embarque e desembarque na porta do evento também é bem fácil.
Ah! Se for no fim de semana, tem transporte gratuito saindo TAMBÉM do terminal Barra Funda.

Pavilhão de Exposições do Anhembi:
Av. Olavo Fontoura, 1.209
Santana – São Paulo/SP
Segunda à sexta-feira, das 9h às 22h (entrada até as 21h)
Sábados e domingos, das 10h às 22h (entrada até as 21h)
Valores
Segunda à quinta: R$ 20,00 (inteira)
Sexta à domingo: R$ 25,00 (inteira)